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Petit support amusant des cours de portugais tout aussi amusants de l'association Franco-portugaise de Châtillon Malakoff - Apontamentos

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O novo acordo ortográfico

Hello !

Suite à la note sur le nouvel accord orthographique portugais, je mets en ligne le travail de ma nièce sur le même sujet *merci beaucoup* :-)  !]

 

paises_acordo_ortografico.jpg

 

acordo.JPG

 

 

Em 1990, por razões principalmente luso-brasileiras no sector da literatura, um novo acordo ortográfico foi elaborado para satisfazer (especialmente) os leitores brasileiros que são bem mais numerosos do que os portugueses.

Após [après] mais de vinte anos, esse novo acordo vai entrar em rigor oficialmente em Setembro de 2011. Mas será que esta nova ortografia vale a pena? Será que não vai prejudicar a nossa cultura portuguesa e as características da língua portuguesa de Portugal? Será que este acordo é mesmo necessário?

 

Qualquer língua evolui, é um fenómeno cultural e inevitável pois as pessoas e os países evoluem e mudam porque há acontecimentos históricos que surgem: invasões, colonizações, efeitos culturais, fazem com que a língua vai ser pronunciada de uma maneira diferente ou vai aumentar o seu vocabulário ou vai mudar de ortografia para melhor se adaptar às mudanças que estão a ser vividas. Um exemplo muito actual deste fenómeno é o aparecimento de neologismos ligados à informática, sector bastante novo neste mundo de hoje. É por isso que em português de Portugal usam-se palavras como: download, software e pen [clef USB] . Mas estas mudanças geralmente fazem-se ao longo de um relativamente extenso período de tempo e não é imposto quase de um dia para o outro [littéralement : "pratiquement d'un jour à l'autre"] por interesses editoriais ou por alguns intelectuais que exigem, em nome da cultura, uma mudança radical para o nosso português de Portugal.

 

A língua portuguesa é uma língua rica com um passado cultural rico que tem origem principalmente na língua grega e latina. O brasileiro, embora  [embora=bien que+subjonctif] a língua mãe seja portuguesa, tem outras influências, especialmente do americano e dos espanhóis cuja língua é muito mais simplificada do que o português fazendo com que as letras não pronunciadas não são escritas. Assim, embora o português e o brasileiro sejam [bien que+subjonctif] duas línguas parecidas, não são iguais e não têm tido ao longo destes quinhentos e onze anos, nem têm agora, uma evolução igual.

 

É por isso que é importante que o português de Portugal conserve a sua particularidade porque reflecte a cultura portuguesa e europeia.

Há-de realçar ["insister", "réhausser", "souligner", "accentuer"] também que o português e o brasileiro, embora ligeiramente diferentes (ortografia em algumas palavras, algumas regras gramaticais) são línguas quase idênticas como o Inglês e o Americano. Mas estas duas últimas línguas são utilizadas para escrever livros, e-mails, sites da internet, cada uma com as suas próprias características de ortografia e gramática e nenhuma abdica a favor da outra, quando são textos escritos ou quando se fala e os Americanos e os Ingleses entendem-se muito bem, e não têm problemas de importação/exportação nem ao nível económico nem ao nível literário.

 

A língua portuguesa comparada ao brasileiro não é assim tão difícil de se perceber. Se algumas expressões, algum vocabulário, algumas regras ortográficas ou gramaticais são diferentes, o intelecto de cada um é capaz de traduzir, fazendo com que cada um guarde a sua própria língua, entendendo o outro mas preservando a sua cultura.

 

É verdade que daqui há alguns decénios, é possível, até muito provável que óptimo se transforme em ótimo ou tecto em teto. Mas isso se fará ao longo de alguns anos e com certeza durante muito tempo, as duas escritas vão ser aceites. Mas com esse novo acordo ortográfico, nem isso vai ser possível [nem isso = "même pas"], pois em vez de aceitar as duas maneiras de escrever, uma só, a brasileira, vai ser imposta, o que não é lógico para a língua portuguesa pelas razões acima mencionadas.

O que poderia ser aceite é a dupla ortografia como muitas palavras francesas que têm duas maneiras de se escrever (Clé e Clef) ou a dupla gramática: lavar-me e me lavar ou mais que e mais do que, ou bem pior para a nossa língua portuguesa, disse a ela em vez de disse-lhe ou, para os brasileiros, dizer mais pequeno como aqui é aceite em vez de menor, o que seria o correcto.

Essa dupla ortografia/gramática respeitaria assim cada cultura, país e língua, mas também colaboraria para que esses dois povos atrás dessas línguas pudessem compreender-se melhor, na fala e na escrita, se isso alguma vez for um problema, o que nunca foi.

 

É importante também sublinhar que uma imposição tão pouco flexível [si peu flexible] deste novo acordo ortográfico afecta a nossa liberdade individual pois se não temos escolha sobre a maneira correcta/nova de soletrar uma palavra, isso faz com que eu não tenha escolha e reduz a minha liberdade.

 

 

Assim, acabamos de ver que cada língua evolui separadamente [séparément = separadamente] e cada língua possui a sua própria cultura, a sua própria riqueza e subtilidade e ela é própria de um país e não pode ser vendida ou mudada por causa de interesses económicos, ou para satisfazer alguns intelectuais ou um povo cuja população é maior do que a nossa.

 

Magnifique conclusion !

 

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